Até pouco tempo, muita empresa tratava NR-01 como “entregar um documento”. Em 2026, esse modelo fica perigoso (e caro): a NR-01 reforça a lógica de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como um sistema vivo, com identificação, avaliação, controle e melhoria contínua — incluindo fatores de risco psicossociais no escopo do PGR.
A boa notícia: quando você trata NR-01 como um programa contínuo, você deixa de “apagar incêndio” e passa a prevenir riscos com dados. E é exatamente aqui que IA + análise de dados deixam de ser “nice to have” e viram o motor da operação.
Por que “checklist” não funciona mais (e o custo da inação)
Saúde mental e riscos psicossociais saíram do “soft” faz tempo — viraram impacto direto em produtividade, afastamentos e risco jurídico.
- Globalmente, depressão e ansiedade geram a perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho/ano, com custo próximo de US$ 1 trilhão para a economia.
- No Brasil, 2024 registrou cerca de 472 mil afastamentos por transtornos mentais (alta expressiva vs. 2023), segundo números divulgados na imprensa com base em dados públicos.
- A atualização da NR-01 relacionada a psicossociais teve vigência prorrogada para 26 de maio de 2026, com período de adaptação — mas isso não é “licença para esperar”; é janela para estruturar o processo certo.
Tradução prática: se você só “fecha o PGR” e some, você perde o principal: detectar sinais cedo, priorizar ações e provar evidências quando alguém perguntar “o que foi feito, quando, por quem e com qual resultado”.
A virada de chave: NR-01 como sistema (PDCA) e não como entrega
Pense na NR-01 como um ciclo contínuo:
- Mapear perigos/fatores de risco (incluindo psicossociais)
- Avaliar criticidade (probabilidade x severidade x exposição)
- Planejar controles e ações (com responsáveis, prazos e recursos)
- Executar e monitorar (indicadores + auditoria de evidências)
- Revisar e melhorar (aprendizado e reavaliação do risco)
O problema do “checklist” é que ele foca no item 1 e 2 para gerar um PDF — e abandona 3, 4 e 5. É aí que a gestão quebra.
Onde a IA entra (de verdade) na NR-01 2026
IA aqui não é “chat bonitinho”. É automação + inteligência operacional para reduzir esforço e aumentar qualidade.
1) Coleta inteligente e contínua (sem virar pesquisa esquecida)
Em riscos psicossociais, o erro clássico é medir 1 vez/ano e chamar de gestão.
Com uma abordagem contínua, você roda campanhas periódicas (curtas, direcionadas por área/função/turno), com:
- anonimato e governança de acesso
- cortes por unidade, diretoria, função e liderança
- acompanhamento de adesão e qualidade dos dados em tempo real
IA ajuda a:
- detectar quedas de participação (sinal de baixa confiança/medo)
- identificar padrões de resposta fora do normal (análise de anomalias)
- reduzir viés com normalização e segmentação (por contexto de trabalho)
2) Análise de texto e sinal fraco (o que o Excel nunca captura)
Riscos psicossociais geram muito dado qualitativo: comentários, relatos, justificativas.
IA pode:
- agrupar temas por clusterização (ex.: “sobrecarga”, “conflito com liderança”, “turno”, “metas”)
- medir tendência (se o tema cresce por área e em qual ritmo)
- apontar “hotspots” para priorização
Isso vira insumo técnico para o inventário do PGR e, principalmente, para um plano de ação que faça sentido.
3) Priorização com score de risco (critério explícito e auditável)
“Vamos atuar em tudo” não é plano. Plano é priorização.
Um bom modelo de score combina:
- intensidade do fator (ex.: demanda, autonomia, suporte, reconhecimento)
- exposição (quantas pessoas e por quanto tempo)
- tendência (piora/melhoria ao longo de ciclos)
- indicadores correlatos (absenteísmo, rotatividade, incidentes, etc.)
A IA não “decide sozinha”, mas recomenda prioridades com base no padrão histórico e no risco atual.
4) IA como copiloto do plano de ação (menos genérico, mais executável)
Planos de ação fracassam quando são:
- genéricos (“treinar líderes”)
- sem dono
- sem prazo
- sem evidência
A IA pode sugerir ações por “biblioteca” (base de boas práticas) e contexto:
- ações organizacionais (carga, escala, metas, processos)
- ações de liderança (rituais, feedback, gestão de conflitos)
- ações de suporte (canais, fluxos, acolhimento)
- ações de comunicação (clareza, previsibilidade, campanha)
E já “nasce” com: responsável, prazo, critérios de sucesso e evidências.
5) Evidência e rastreabilidade: o ponto que salva em auditoria
Auditoria e fiscalização raramente caem por “não ter um documento”; caem por não provar execução.
Um sistema orientado a dados mantém:
- histórico de versões do PGR/PGRP
- trilha de auditoria (quem fez o quê, quando)
- evidências anexadas (com controle de acesso)
- indicadores antes/depois (efetividade)
Isso transforma NR-01 de “medo” em “governança”.
O que muda quando você conecta NR-01 + dados + negócio (CFO/CEO entendem)
Para liderança executiva, “compliance” sozinho não mobiliza orçamento. Risco + custo + produtividade mobilizam.
Indicadores que fazem a ponte:
- Absenteísmo e afastamentos (nível, tendência, hotspots)
- Rotatividade e custo de reposição (por área)
- Produtividade (ex.: perda de capacidade por sobrecarga e retrabalho)
- Risco jurídico e reputacional (exposição + evidências de mitigação)
- Velocidade de mitigação (SLA do plano de ação: % no prazo)
Quando você apresenta isso em painéis e ciclos (mensais/trimestrais), NR-01 vira gestão.
Como implementar um modelo contínuo (sem travar a operação)
Um caminho pragmático (e rápido) é:
Semana 1–2: Estrutura
- governança (RH/EHS/Segurança/Compliance + líderes)
- política de anonimato e acessos
- taxonomia de riscos psicossociais + critérios de score
- baseline de dados (o mínimo viável)
Semana 3–6: Diagnóstico contínuo inicial
- campanhas curtas por áreas prioritárias
- dashboard de adesão + qualidade
- primeiros hotspots + mapa de risco
Semana 7–12: Plano de ação e execução com evidência
- plano com donos/prazos/evidências
- rituais de acompanhamento (quinzenal/mensal)
- revisão do score e reavaliação do risco
Resultado esperado: você sai do “projeto NR-01” e entra no “sistema NR-01”.
O papel da Livon nessa virada
A Livon se encaixa exatamente onde o método costuma quebrar: continuidade + evidência + visibilidade executiva.
Na prática, a plataforma permite:
- coleta estruturada por campanhas (com governança e anonimato)
- análise e painéis para priorização (por recortes organizacionais)
- gestão do plano de ação com rastreabilidade
- construção de evidência viva para auditoria
- uso de IA para acelerar análise e transformar dado em decisão
NR-01 deixa de ser “um arquivo” e vira rotina gerenciável.
Checklist prático: você está preso no “checklist” ou já está em gestão contínua?
Se você responde “não” para 3 ou mais, ainda está no modo checklist:
- Temos linha de base e repetimos medições (ciclos)?
- Conseguimos ver hotspots por área/função/liderança?
- Existe score de criticidade e critérios claros?
- Plano de ação tem dono, prazo e evidência?
- Medimos efetividade (antes/depois) e revisamos?
- Conseguimos provar tudo isso em minutos, não em semanas?
Se você quer transformar NR-01 2026 em gestão contínua com IA (sem caos de planilha e sem “corrida do PDF”), o próximo passo é simples: estruturar baseline + score + plano de ação auditável — e rodar o primeiro ciclo.

